Notas Públicas

Carta à Vice-Reitoria pelo direito dos estudantes ao auxílio alimentação

O Brasil vem, há um ano, atravessando a maior crise sanitária de sua história. Por mais que o cenário nacional dos últimos anos já apontasse para um agravamento das desigualdades sociais, a pandemia do novo coronavírus aumenta ainda mais esse abismo que sempre foi gigante. Esse contexto põe a juventude trabalhadora em uma situação alarmante. A pandemia trouxe consigo altos índices de desemprego e baixa renda, pondo muitos jovens estudantes em situações de extrema vulnerabilidade. As dificuldades para o estudo são muitas, desde o aumento dos cuidados com familiares, os impactos na saúde física e mental, a ausência de um local tranquilo para concentração até a dificuldade de acesso a equipamentos para o acompanhamento do ensino remoto.

Vivemos hoje um momento inédito na USP, a política de cotas alcançou 50% das vagas e a juventude PPI começa a ocupar a universidade. No entanto, apesar de termos conseguido através de muita luta popularizar o acesso desses setores ao ambiente universitário, este ainda é um espaço de exclusão para muitos, de modo que é essencial impedir que os níveis de evasão fiquem cada vez mais altos, afinal, quem entrou, quer permanecer!

Segundo estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), hoje, mais da metade dos domicílios brasileiros passam por insegurança alimentar e, dessa forma, são mais de 19 milhões de pessoas que passam fome no Brasil. Em meio a este cenário que se acentua, os auxílios fornecidos pela USP, hoje, infelizmente, ainda não são suficientes, visto que grande parte dos estudantes substitui a renda que deveria vir através da Assistência Estudantil a partir do trabalho informal. Além disso, com a paralisação de muitas atividades presenciais e o aumento do desemprego, muitos desses estudantes encontram-se em situações de extrema vulnerabilidade.

Muitos estudantes não conseguem se deslocar para os diversos campus da Universidade de São Paulo diariamente para utilizar o auxílio alimentação em suas refeições, tanto pelas medidas de isolamento social adotadas para a diminuição da velocidade de  contágio do vírus covid-19, quanto pela suspensão de cotas dos bilhetes estudantis – como o bilhete único e o BOM – que impossibilitaram de todas as formas o deslocamento até a Universidade de São Paulo. Além disso, inúmeros estudantes se encontram em seus endereços originais, em outras cidades e outros estados, enquanto as atividades presenciais não se retomam. Porém, isso não faz com que estes estudantes deixem de necessitar desse direito. Pelo contrário, como já introduzimos, o cenário é de piora das condições de vida de boa parte da população e, consequentemente, faz-se  aumento das demandas.

Nesse sentido, reivindicamos que, dada a excepcionalidade e gravidade do contexto atual, os estudantes que quiserem, em qualquer unidade da USP, possam receber o valor monetário do auxílio alimentação ao qual já possuem direito. Dessa forma muitos estudantes poderiam fazer compras de insumos no supermercado. O auxílio alimentação não é um custo adicional a instituição educacional, mas sim um custo já consolidado no SAS, e que milhares de alunos necessitam e recebem todos os anos. Assim, a liberação do auxílio alimentação de forma monetária desse benefício é um direito do aluno. É função social da Universidade neste momento estar na linha de frente no combate ao novo coronavírus, mas também se preocupar com a vida de sua comunidade! A instituição deve reunir esforços para construir uma ampla e adaptada política de Assistência Estudantil para enfrentarmos o momento que estamos passando. Nenhum estudante deve ficar para trás!

Assine o ABAIXO ASSINADO

Assinam a carta pelo direito ao recebimento do valor do auxílio alimentação:
CAP (Centro Acadêmico Panthalassa (IOUSP)
CAHIS (Centro Acadêmico de História “Luiz Eduardo Merlino” (FFLCH))
DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”
Centro Acadêmico Herbert de Sousa – GPP/EACH
Centro Acadêmico XI de Agosto
Centro Acadêmico da Filosofia “João Cruz Costa” (CAF)
Centro Acadêmico Emilio Ribas
CAM – Centro Acadêmico Mecânica e Mecatrônica
Centro Acadêmico de Farmácia-Bioquímica
Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC/FMUSP)
Centro Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho (CAAVC- FoFiTO FMUSP)
Diretório Acadêmico de Marketing (DAMA – EACH/USP)
Centro Acadêmico XXV de Janeiro (FOUSP)
Centro Acadêmico XXXI de Outubro
Associação de Moradores do Crusp (Amorcrusp)
Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC)
Centro Acadêmico Guimarães Rosa de Relações Internacionais (Guima)
Centro Acadêmico de Ciências Biológicas da ESALQ/USP (CACB)
Diretório Acadêmico de Gestão Ambiental (DAGA – EACH/USP)
Secretaria Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo (IAU/USP)
Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC/ECA)
Associação de Engenharia Química (AEQ – Poli USP)
Centro de Estudos Geográficos “Filipe Varea Leme” (CEGE/USP)
Centro Acadêmico Armando de Salles Oliveira (CAASO)
Centro de Estudos da Física de São Carlos (CEFiSC)
Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental (SAPA)
Centro de Estudos Químicos Heinrich Rheinboldt (CEQHR)
CeUPES Ísis Dias de Oliveira – Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais
– Centro Acadêmico Sócrates Brasileiro (CASB – EEFERP)
Centro Acadêmico de Gestão Ambiental (CAGeA – ESALQ)
Centro Acadêmico Luiz de Queiroz (esalq)
Centro Acadêmico Moacyr Rossi Nilsson (CAMRN)
Grêmio da Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (gfaud)
Centro Acadêmico de Engenharia Ambiental (CAEA – Poli USP)
Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários Oswald de Andrade (CAELL)
Centro Acadêmico Gilda de Mello e Souza (CAGilda – EACH/USP)
Diretório Acadêmico de Licenciatura em Ciências da Natureza (DALICINA – EACH)
Centro Acadêmico Barbara McClintock (CABaM – EACH)
CEFISMA – Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP
Centro de Engenharia Elétrica e de Computação (CEE – Poli USP)


Em meados de 2020, uma base fixa da Polícia Militar (PM) foi inaugurada no campus Armando de Sales Oliveira da Universidade de São Paulo. O acontecimento, juntamente à repressão ao ato contra o evento São Paulo Boat Show 2020 por parte da PM, trouxe à tona a necessidade de se retomar o debate acerca de sua presença e ação no espaço universitário. O Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Computação (CAMat), o Centro Acadêmico Panthalassa (CAP), o Centro Acadêmico do Instituto de Astronomia e Geofísica (CAIAG) e o Centro Acadêmico do Instituto de Física (CEFISMA) se mobilizaram para discutir sobre o tema, o que resultou nesta carta-manifesto.

Em setembro de 2011, a USP assinou um convênio com a Polícia Militar e com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo visando à implementação de medidas de segurança e policiamento no campus da Cidade Universitária. O convênio previa o modelo de policiamento comunitário participativo com 30 policiais militares dentro do campus, a sua capacitação profissional e a identificação dos espaços de maior vulnerabilidade. Ainda que a premissa do modelo empregado pela PM fosse de “se adaptar ao ambiente”, no mesmo ano, uma ação policial utilizou instrumentos como cassetetes, gás lacrimogêneo e balas de borracha para reprimir estudantes em diversas ocasiões.

Já em 2012, o superintendente de segurança afirmou que o diálogo era o principal instrumento da Polícia Militar e que o objetivo não era reprimir, apenas implementar “ações proativas preventivas”. Neste mesmo ano, foi observada queda no número de crimes no primeiro quadrimestre, contudo a sensação de insegurança no campus permaneceu.

No ano de 2013, uma nova ação policial levou a Tropa de Choque a cercar a reitoria durante uma reivindicação estudantil pela participação na escolha do novo reitor. Em 2014, a PM novamente utilizou balas de borracha e gás lacrimogêneo em retaliação a um ato pacífico do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP). Logo após o início do convênio (entre 2012 e 2014), a Guarda Universitária registrou um aumento de 55% nos roubos e furtos no campus da Cidade Universitária.

A partir de 2015, foi instalado um modelo de policiamento livremente inspirado no kōban, que consistiu na instalação de bases fixas com policiais “integrados” à comunidade. Com o novo modelo adotado, a PM não poderia atuar em manifestações ou  impedir festas universitárias. No mesmo ano, foi observado um evidente desmonte da Guarda Universitária, cujo número de integrantes caiu pela metade em 10 anos, sem substituições daqueles que se aposentaram ou saíram de seus postos. Estes dados sugerem que a intenção do convênio nunca foi de criar uma ação conjunta entre a Guarda Universitária e a Polícia Militar, mas sim substituir a primeira pela última.

Mais uma vez, em 2016, a Tropa de Choque entrou no campus da Cidade Universitária dispersando uma Assembleia Geral de Estudantes nos arredores do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). A plenária debatia a política de cotas e o futuro da greve geral em curso naquele momento. O ano de 2019, por sua vez, registrou os números de crimes mais baixos no campus; porém, os dados eram contestáveis devido à baixa adesão ao sistema de Mapeamento de Ocorrências da Superintendência de Proteção e Prevenção da USP.

É possível notar a partir desse histórico como a repressão policial que acometeu os manifestantes do ato contra o Boat Show não configurou um evento isolado. Na verdade, nota-se como esta é a resposta padrão da Polícia Militar aos estudantes e movimentos da Universidade que se organizam para se manifestar e apresentar suas reivindicações por uma universidade menos elitista e mais popular. Assim, é evidente que instalar uma base da PM completamente às escuras só foi possível porque a própria Polícia Militar já tem ganhado espaço no campus da Cidade Universitária há tempos, oscilando entre momentos de maior ou menor intervenção direta.

Portanto, o modelo militarizado de segurança tem falhado em fazer com que todos aqueles que frequentam o campus se sintam mais seguros. Na verdade, torna-se cada vez mais explícito que o intuito da PM não é o de garantir a segurança, mas sim de retaliar a auto-organização da juventude, dos trabalhadores e dos movimentos populares que atuam na USP e fora dela, como vemos claramente no caso das periferias da capital paulista. Assim, no caso universitário, ela procura garantir que estes sofram calados mediante os diversos programas de demissão “voluntária”, cortes de bolsas de permanência e medidas de precarização do trabalho, do ensino, da pesquisa e da extensão.

A escolha do local para a instalação da base também é sintomática e demonstra seu caráter coercitivo. Isso se deve ao fato dela estar posicionada ao lado do CRUSP, um dos principais palcos de manifestações e reivindicações políticas da USP nos últimos anos, em decorrência do descaso e sucateamento da moradia estudantil e demais políticas de permanência.

Por isso, é mais urgente do que nunca que pensemos em modelos alternativos de segurança para a USP. Por exemplo, sabemos que o campus da Cidade Universitária é um local com péssima iluminação e infraestrutura, além de muitas vezes deserto; portanto, promover a segurança na Universidade passa não apenas por aumentar o número de agentes responsáveis diretamente por esta, como a Guarda Universitária, mas também por uma política de medidas indiretas de segurança, como o investimento em iluminação, a manutenção da infraestrutura do campus, a criação de rotas para circulação, o apoio a atividades políticas e culturais de ocupação dos espaços universitários pela própria comunidade universitária, dentre outras.

Diante de tudo que foi citado, nos posicionamos contrários à reforma da base da PM e à militarização da Universidade, uma vez que tais medidas refletem a falta de diálogo da Reitoria para com a comunidade universitária e a falta de transparência na relação da USP com a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Para além disso, observamos como as ações da PM têm viés político deliberado, o qual vai de encontro direto aos interesses dos estudantes, funcionários e professores da Universidade, especialmente aos daqueles que residem no próprio campus ou na Comunidade da São Remo, adjacente à Cidade Universitária.

Assim, consideramos fundamental que a Universidade invista em estudos e tecnologias de segurança alternativos à presença da PM no campus, priorizando de fato a prevenção da violência, muitas vezes permeada por marcadores sociais de gênero, raça e classe.

Pela desmilitarização da PM! 

Pelo fim da repressão policial na USP! 

Pela autonomia de organização da comunidade USP!

Participaram da confecção desta carta: 

CAIAG – Centro Acadêmico do Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG-USP)

CAMat – Centro Acadêmico da Matemática, Estatística e Computação (IME-USP)

CAP – Centro Acadêmico Panthalassa (IOUSP)

CEFISMA – Centro Acadêmico do Instituto de Física da USP (IFUSP)

Boa noite,
O Cefisma, como deve ser um centro acadêmico, é uma entidade representativa, autônoma e democrática. Sua principal função é garantir a existência e continuidade de entidades e atividades estudantis no IFUSP e levar as demandas dos estudantes ao instituto, exigindo seu cumprimento. Em suma, a entidade que garante, de forma mais organizada e democrática, a ponte entre os estudantes e a diretoria do IFUSP é o Cefisma. Porém, um centro acadêmico não possui poder de tomar diretamente qualquer decisão pelo instituto.
Na nossa última nota, não havia um ponto final sobre o futuro das aulas do IFUSP por conta da pandemia do COVID-19, e sim uma proposta criada com base nas dificuldades que diversos estudantes do IFUSP nos trouxeram e a partir de discussão conjunta entre toda a gestão. A proposta também foi apresentada aos representantes discentes do IFUSP (que opinaram a seu respeito e com quem pudemos fazer uma discussão mais profunda, mesmo com as dificuldades da distância) e com a comunidade de estudantes do IFUSP via posts em todas as nossas redes. As questões levantadas nestas postagens estão servindo inclusive para as constantes reformulações.
Entendemos que num momento como este os ânimos ficam exaltados (afinal, estamos em isolamento social) e, apesar de desejarmos uma discussão mais ampla e profunda, tal ação fica dificuldade em espaços da Web. O Cefisma está formulando propostas considerando as diversas demandas estudantis para que isto seja colocado em debate no instituto, podendo levar, ou não, a alguma mudança.
Lembramos também que o Cefisma não é uma entidade abstrata, mas gerenciada por estudantes do IFUSP que estão abertos a discussão.

A AUTONOMIA E AS POSSIBILIDADES
1° de abril de 2020

Desde o início da Pandemia causada pelo COVID-19, a USP vem tomando algumas medidas sobre suas atividades. Contudo, percebe-se que apesar da proeminência do corpo científico da instituição, as medidas estão sendo feitas a reboque das ações estaduais e, especialmente no IFUSP, seguindo à risca as indicações da reitoria.

É problemática a aceitação do Ensino a Distância (EAD) como forma genérica para resolução dos problemas da USP no período de isolamento social, afinal, a reitoria não conhece a realidade dos institutos, muito menos dos estudantes. No corpo docente é corrente o discurso de que o formato EAD é uma forma de “não perder” o semestre. Contudo, dada a realidade e as alternativas de ação sobre ela, quais as consequências das possíveis escolhas do Instituto a curto, médio e longo prazo?

Buscamos, elencar possíveis cenários, elencando as principais vantagens e desvantagens.

AS POSSIBILIDADES

TRANCAMENTO IRRESTRITO: abrangeria alunos ingressantes e não prejudicaria alunos estagiários por não cumprir os 12 créditos previsto em contrato, mas necessita de autorização da reitoria. Problemas: no semestre que vem, a parte que trancasse (seja por falta de recursos de infraestrutura ou psicoemocionais) iria requisitar, com razão, o reoferecimento das matérias perdidas. A parte que continuasse com as aulas online iria querer prosseguir com o curso. Fazendo algumas estimativas* e considerando que:

-Não haverá oferecimento de matérias optativas
-Dos 127 professores do Instituto, apenas 90 dão aulas para a graduação**
-25% destes professores pegariam duas turmas ao invés de uma (esse valor, normalmente, deve ser menor)

Teríamos um grande problema de carga didática: os 90 docentes pegariam 113 turmas aproximadamente, sendo que a demanda seria de 73 matérias obrigatórias com 170 turmas. Um déficit de 57 turmas de matérias obrigatórias além de uma brutal sobrecarga do quadro docente. A conclusão é óbvia: o trancamento não é uma solução, mas somente uma medida individualista e imediatista que transfere o problema pro próximo semestre. Reiteramos, então, o que já estava claro na nota divulgada anteriormente pelo CEFISMA: “a solução apresentada deve ser coletiva” e reflexo de um planejamento do Instituto.

ADIAR O SEMESTRE: implicaria em suspender a obrigatoriedade (da oferta e acompanhamento) das aulas EAD, com a volta às aulas de modo presencial ao término da quarentena. Problemas: sabendo que o período de quarentena vai se prolongar e muito ainda, os dois semestres seriam sobrepostos e teria um atraso do início do segundo semestre. Uma solução seria adiantar as férias para este período e ficar sem as férias de julho, havendo uma mudança no calendário geral, prolongando até dezembro. Mesmo assim os semestres seriam curtos e dependemos do decorrer da pandemia para saber que proporção isso terá.

CANCELAR O SEMESTRE: implicaria em suspender a obrigatoriedade das aulas EAD: o que foi iniciado nas primeiras aulas teria que ser retomado, um novo curso teria que ser reinicializado. Problemas: As férias não seriam o suficiente para retomar a paridade dos semestres, devendo, assim, haver uma troca da polaridade: matérias de semestre ímpar passariam a ser de semestre par e vice-versa. Seria algo que se estenderia a longo prazo e por isso, deve ser bem avaliado por todos no IFUSP. Necessitaria, ainda, de algumas adaptações, como o alongamento do tempo ideal de conclusão do curso, medida esta que deve passar pela Reitoria. Contudo, é, de longe, a alternativa que melhor respeita as condições materiais e psicoemocionais de TODOS os estudantes e professores a longo e curto prazo, além de manter uma maior qualidade do ensino.

A AUTONOMIA

O IFUSP, como consta na resolução Nº 7030 da CoG de dezembro de 2014¹, tem a autonomia de decisão sobre o andamento de seus próprios cursos e a como isso se dará, podendo, assim, prezar pela qualidade de suas aulas, de seus docentes e estudantes, bem como não aumentar a carga psicológica e emocional dos mesmos.

A reitoria, por meio de seu slogan “A USP NÃO PODE PARAR!” pressiona os Institutos a manter a “normalidade” das aulas transpondo o semestre para o formato EAD a qualquer custo (mesmo sem a infraestrutura necessária, formação docente e materiais). Queremos uma posição mais firme do Instituto. Por enquanto, só houve e-mails que pouco ou nada dizem. Sabemos como as coisas estão sendo feitas, mas queremos saber qual é o planejamento da Instituição. A análise de caso a caso coloca uma grande insegurança em todos e, do modo como as avaliações estão sendo feitas, sempre irá gerar resultados subestimados.

Nenhuma medida tomada irá realmente contemplar a todos. Problemas de permanência e falta de bolsas estão sobrepostos a esta questão, mas temos que tomar medidas sabendo das reais implicações disso a médio e longo prazo. Não podemos simplesmente apelar pela normalidade, pois ela já se perdeu. Situações assim nos pedem criatividade para a resolução dos problemas e coragem para implementá-la.

* Pelo que foi aferido, são 38 matérias obrigatórias de semestre ímpar (7 do bach, 14 da lic. e 17 de outros institutos) e 35 de semestre par (8 do bach, 10 da lic. e também 17 de outros institutos). A quantidade de turmas foi estimada conforme se apresenta nas cargas didáticas do 1° e 2° semestres de 2019.
** Utilizando-se dos dados da carga didática do 1° semestre de 2020, que indica a quantidade de docentes na pós-graduação, pedindo licença-prêmio, afastados, isentos de carga didática, etc.
[1] http://www.leginf.usp.br/?resolucao=resolucao-cog-no-7030-de-08-de-dezembro-de-2014

NOTA CEFISMA

 26 mar. 2020 

 

POSICIONAMENTO DO CEFISMA SOBRE O EAD



  • GARANTIA DE REPOSIÇÃO E/OU REOFERECIMENTO DAS AULAS EM SEU FORMATO PRESENCIAL, QUANDO DO RETORNO ÀS ATIVIDADES REGULARES.


  • A SUSPENSÃO DA OBRIGATORIEDADE DAS DISCIPĹINAS DA GRADUAÇÃO DO SEMESTRE NA MODALIDADE VIRTUAL E DE SUAS RESPECTIVAS AVALIAÇÕES.


  • NÃO OBRIGATORIEDADE DAS ATIVIDADES A SEREM ENTREGUES VIRTUALMENTE.


  • QUE EM HIPÓTESE ALGUMA A MODALIDADE EAD SE MANTENHA APÓS O PLENO RETORNO DAS ATIVIDADES NA USP, EXCETO SE ASSIM A DISCIPLINA FOI ESTRUTURADA.

O QUE O CORONAVÍRUS ESTÁ NOS ENSINANDO ?

A epidemia de COVID-19, faz emergir debates de suma importância como o necessário investimento em ciência e divulgação, combate às fakenews, importância das instituições/aparatos públicos e, especialmente, a ideia de que independente de nossas condições individuais, necessitamos trabalhar em conjunto. Mesmo que 80% da população possa não ser acometida de maneira grave pelos sintomas, não abrimos mão de ninguém, nos responsabilizando e protegendo os mais vulneráveis.


O QUE AS INSTITUIÇÕES ESTÃO NOS ENSINANDO ?

 

O governo Federal minimiza a pandemia (comparando a uma gripezinha); Os governos Estadual e Municipal estão trabalhando em conjunto em políticas que viabilizem o isolamento social; A Organização Mundial de Saúde faz repasses diários sobre os riscos a serem considerados. Universidades “irmãs” (USP, UNICAMP, UNESP) agiram de forma descoordenada desde o início. A USP indica: “não podemos parar”, pelas palavras do reitor. O que isso significa? Não vamos parar, mas para onde estamos indo? Como cada instituto ficou responsável em decidir como lidaria com a continuidade dos cursos e a maioria delegou essa função aos professores, dizemos: Não sabemos para onde estamos indo! E isto é um erro, especialmente para instituições científicas e formadoras como o IFUSP. Felizmente, um erro que ainda pode ser corrigido se agirmos rapidamente.

O QUE O DEBATE SOBRE AULAS ONLINE ESTÁ NOS ENSINANDO? 

Pela preocupação, de docentes e discentes, sobre a falta de instrumentos e acesso aos meios digitais para amplo oferecimento das aulas, tiramos a lição de que não existe homogeneidade de condições, que aspectos de diferenciação devem ser considerados em um planejamento pedagógico, e que a organização e planejamentos científicos são essenciais. O debate também nos ensina que nem tudo é, ou pode ser consensual, que é possível que algumas pessoas tenham ótimas experiências e outras não, e para balizar nossas ações nesses momentos devemos exercitar nossa empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro.

 

O QUE AS EXPERIÊNCIAS COM AULAS VIRTUAIS ESTÃO NOS ENSINANDO ? 

O IFUSP seguiu o conselho da reitoria e iniciou o processo de transposição de aulas presenciais para aulas virtuais, contudo, não houve tempo para planejamento ou formação dos docentes para (re)pensar aulas e práticas (diferente do que ocorreu na UNICAMP¹, p.e.). Havendo, portanto, uma troca de modalidade de presencial para virtual, sem grandes adaptações e considerando particularidades que o EaD contém, isso provoca vários problemas.

Os resultados, de acordo com levantamentos individualizados e/ou debates nos meios virtuais, é que alguns professores já possuíam certo traquejo, organização prévia e  bom senso para adaptação de atividades virtuais. Reconhecemos o esforço que tem sido feito pelos docentes na tentativa de oferecer um conteúdo minimamente razoável para o aprendizado dos estudantes contudo, isto não é o suficiente para superar as debilidades próprias do método adotado. 

Recebemos queixas de professores cobrando presença, alunos que não conseguem ver aulas ao vivo por que a qualidade de internet não é suficiente, avaliações não flexíveis, alunos que não conseguem acompanhar por falta de apoio psicoemocional, alunos que precisam cuidar de seus avós e pais no grupo de risco, dentre outras coisas.

Mesmo com este levantamento, que tentamos fazer de forma cuidadosa, orientando as pessoas e contribuindo com estas informações ao instituto, sabemos que muitos estudantes do IFUSP sequer estão comunicáveis neste momento para poder informar que não estão sendo contemplados pelas aulas virtuais ou demais problemas decorrentes da epidemia.

E QUANTO AOS INGRESSANTES ?

Se a situação já está confusa para estudantes dos últimos anos do curso, imagine para quem ingressou agora… Os portais de comunicação institucional (comunica@if.usp.br / 3091.6681) e páginas do cefisma, estão tentando prestar suporte, porém, a sensação é de desamparo em um momento que os estudantes mais precisam. Não há informações claras se p.e. ingressantes poderão trancar disciplinas que estão sendo oferecidas virtualmente, e se caso o façam, o que isso implica aos próximos semestres. Aos ingressantes também pode ser muito traumático ter seus primeiros contatos com a universidade sem outras mediações, amizades para dividir as tarefas, queixas e novos conhecimentos, bem como o espaço universitário.

A QUESTÃO A SER RESOLVIDA É SÓ DE ACESSO ?

 

Mesmo supondo (o que não enxergamos como viável) que o instituto consiga mapear todos os estudantes sem acesso à internet e/ou sem equipamentos necessários para realização das atividades e aulas virtuais, conforme apresentada em nota do CAER,  não foram apresentadas pela USP soluções para que os estudantes sem condições materiais mínimas participem das aulas nessa modalidade. A falta dessas condições mínimas pode ser determinante no adoecimento e agravante das desigualdades dentro da universidade durante o duro período de isolamento.² e em todo o decorrer do curso. 

Apresentamos alguns aspectos que podem ser determinantes para dificuldades no acompanhamento de disciplinas virtuais (especialmente oferecidas de forma síncronas). Falta de infraestrutura para estudos: nem todos os estudantes possuem um espaço apto para atividades de estudo. Condições psicoemocionais: a maior preocupação de todos, num contexto de epidemia, é com os riscos e consequências do vírus. Assim, muitos estudantes terão que realizar atividades não rotineiras de caráter doméstico ou externo para prevenir familiares no grupo de risco de ficarem doentes, bem como trabalhar na conscientização dos mesmos. As crianças em idade escolar também estão com aulas suspensas, demandando atenção de nossos estudantes. Horários desregulados: cada estudante organizou sua rotina de forma muita particular neste momento, por isso antigos horários já não podem ser utilizados.

Havendo só uma preocupação a respeito da falta de instrumentos (computador e internet), é deixado de lado um recorte de classe, gênero e raça, nestes momentos precários, a preocupação de certos estudantes se voltam à casa, nos cuidados da família e dos afazeres domésticos, sem um suporte emocional e psicológico para arcar com outras responsabilidades, que inferem na saúde de familiares. Isso implica na exclusão maior de alunos que já estão excluídos no IFUSP, em que a entrada foi possibilitada pelas cotas.

Por isso, exigimos da instituição que justifique suas escolhas de forma científica, não somente por meio da tentativa de manutenção da normalidade, mas levando em consideração a avaliação da qualidade do que está sendo proposto, o que temos a ganhar e o que temos a perder apostando no Ensino a Distância? Para isso, seria necessário recorrer a diversos profissionais, pesquisadores da educação, psicólogos, etc. para discussão dos riscos que corremos ao assumir a defesa desta modalidade de forma apressada.

É um indicativo curioso que a Faculdade de Educação da USP não recomende a manutenção das atividades da graduação na modalidade online e os outros institutos tomem um caminho oposto, sem oferecer justificativas pedagógicas a seus estudantes. Portanto, esta questão não está fechada e deverá ser debatida até que a situação gerada pela epidemia seja normalizada.

 

QUAL FORMAÇÃO ESTAMOS OFERECENDO ?

 

Entendemos que a formação, de um professor e/ou de um cientista se dá com o desenvolvimento do espírito crítico e reflexivo, para o encadeamento dessas funções é necessário o desenrolar de uma série de competências e habilidades que não são de caráter técnico (podendo ser abordadas apenas por uma aula online) mas atitudinais, diversos discursos educacionais das últimas décadas apontam neste sentido, de que devemos estreitar laços entre as realidades dos educandos e o conhecimento, entre docentes e discentes e entre as práticas e perspectivas de vida.

Não dar tempo a ninguém (docentes, monitores, discentes) assimilar esta nova situação, de crise global encadeada por uma epidemia é também um tipo de violência, principalmente contra aqueles que já estão sofrendo pelas diversas incertezas que o momento trás.
Os cursos de graduação da USP exigem a interação e discussão entre colegas e professores para o pleno desenvolvimento, não podemos generalizar algumas experiências de aulas virtuais que obtiveram relativo sucesso, pelas razões mencionadas acima.
Além disso, quando da obrigatoriedade de participação nas disciplinas virtuais para aprovação e/ou reprovação no semestre abre-se espaço para todo práticas não desejáveis de coerção, exposições, entre outras (que sabemos que acontece) o que desgasta toda a comunidade, fazendo com que professores e estudantes se tornem ariscos.

É necessário tomar uma atitude enérgica agora principalmente quanto à obrigatoriedade, presenças, reposições e reoferecimentos, pois as questões levantadas acima tendem a se complexificar e piorar no próximo período. Ressaltamos que a solução apresentada deve ser coletiva, isto é, não individual, como o trancamento, que em si não é uma completa solução, pois ingressantes não podem (até segunda ordem) utilizar dessa ferramenta. No que se refere à progressão do vírus e ao semestre, a carga psicológica em nossos estudantes nos períodos de avaliação pode ser algo que não consigamos lidar nos pŕoximos anos.  

Indo além, de não tomar medidas concretas para que os alunos que não estejam acompanhando não sejam prejudicados: não foi garantido o reoferecimento, nem dito o que ocorreria com reprovações ou meios de evitá-la. A burocracia do Instituto precisará ser flexibilizada, o entrave a diversas matérias irão ocorrer devido aos pré-requisitos, estes sem muito fundamento, já que cada aluno é responsável por sua graduação.

NA PÓS-GRADUAÇÃO, ESTÁ TUDO BEM ?

Acreditamos que o debate de ter aulas EAD na pós-graduação é muito mais complexo, devido aos prazos que os estudantes têm para realização de suas pesquisas em cumprirem estes créditos. A Pró-Reitoria de Pós-graduação da USP sinalizou a prorrogação, em seis meses, dos prazos da pós-graduação.

A escolha feita pela CPG do IFUSP, em manter as aulas da pós-graduação no formato virtual, com orientações objetivas aos docentes sobre a utilização do software Zoom foi feita, especialmente por características intrínsecas à pós-graduação, como, o menor número de estudantes e disciplinas (em comparação à graduação), maior vínculo com as práticas institucionais (principalmente em comparação aos ingressantes) e o interesse principal nas práticas de pesquisa (muitos estudantes realizam as disciplinas obrigatórias nos primeiros períodos focando exclusivamente em suas pesquisas nos períodos seguintes).

Contudo, seria interessante que a Comissão de Pós-graduação do IFUSP criasse um canal de comunicação com seus pós-graduandos para saber seus posicionamentos sobre as aulas EAD, como está sendo feito pela Associação de Pós-Graduandos da USP (que fez um formulário para colher informações)

Em um período de percepção pública sobre a emergência da ciência e do conhecimento para a vida das sociedades, denunciamos a atitude dos cortes de bolsas, prejudicando nosso pesquisadores em um momento já extremamente conturbado. a portaria 34/2020 CAPES, a qual corta diversas bolsas da USP, afetando o programa InterUnidades em Ensino de Ciências, com diversos estudantes formados em Licenciatura em Física.

O CRUSP

Os estudantes do CRUSP, via de regra, não possuem condições (de infraestrutura) para estudo em suas moradias, devido ao deterioramento da moradia estudantil agravada nos últimos anos. A partir do anúncio de Calamidade Pública no Estado de São Paulo e aumento do isolamento, diversos espaços institucionais estão se fechando para pessoas sem autorização, a circulação de ônibus na cidade universitária está limitada e funcionando das 05:00 – 20:00 conforme comunicado da Prefeitura do Campus. 

Embora algumas questões referentes à alimentação estejam se encaminhando com a compra e distribuição de marmitas pela Superintendência de Assistência Estudantil, isso não garante condições para o estudo, não somente acerca da infraestrutura mas também emocionais e psicológicas.

Ainda não foram tomadas as medidas sanitárias preventivas necessárias para impedir o alastramento do vírus entre os moradores, como a distribuição de máscaras ou a colocação de álcool em gel em locais estratégicos.

É reconhecido que diversos estudantes que moram em outros locais também não têm plenas condições para a realização das atividades, contudo, destacamos os aspectos trágicos do CRUSP por representar como a universidade lida com seus estudantes mais necessitados

.

E OS ESPAÇOS ?

 

Para evitar a proliferação do vírus, acertadamente, o Estado de São Paulo, está indicando o fechamento de quaisquer estabelecimentos não essenciais à manutenção primária da sociedade (hospitais, farmácias, mercados, oficinas).

Destacamos que o desenvolvimento pleno das atividades de estudo, depende da possibilidade de uso de diversos espaços, como bibliotecas, laboratórios, salas de informática, entre outros. Com as medidas de isolamento sendo aplicadas, estes locais se encontram fechados e/ou sem possibilidade de serem utilizados, assim, a formação dos estudantes se encontra prejudicada e as aulas virtuais não são suficientes para suprir problemas como a falta de livros para aprofundamento e pesquisa (apesar de muitos materiais existirem online, retornamos à questão da falta de acesso, bem como o fato de muitos estudantes não se adaptarem ao uso de livros digitais, tendo o aproveitamento dos estudos afetado.), a impossibilidade de realização de atividades em grupos e práticas (laboratórios e de ensino) entre outras.

SOBRE AS ATIVIDADES NA QUARENTENA

Diversos docentes do IFUSP estão no grupo de risco, e portanto, poderão priorizar a realização de atividades somente quando as atividades presenciais retornarem, contudo, entendemos que muitos docentes temem perder completamente o contato com os estudantes e que a falta de atividades regulares pode fazer os estudantes desanimarem no período de quarentena.

Sendo assim, propomos que os docentes, ao avaliarem suas disponibilidades e condições continuem a produzir materiais e atividades, para incentivos aos estudos e manutenção da comunicação, mas que estas atividades não devem seguir as normas tradicionais do curso regular, contando com as respectivas avaliações, reposições e recuperações. A normalidade do semestre já está comprometida e sabemos que, mantendo-se o semestre com a modalidade docente cada professor tem autonomia de lidar com suas aulas e avaliações como preferir, não cabendo aos órgãos do instituto intervir sobre isso, contudo, pensamos que seria mais proveitoso a toda comunidade a criação de uma relação supra-disciplinar entre os docentes e discentes com possibilidade de criação de materiais mais interessantes nas áreas de pesquisa aos quais os primeiros se dedicam e os demais possam se interessar, para futuro estreitamento de laços em iniciações científicas, mestrados, etc. 

É uma oportunidade de fazermos o que deve ser essencialmente feito, demonstrar o valor da ciência e do conhecimento e, que estes superam as divisões administrativas e os líderes da nação.

TODAS AS VIDAS IMPORTAM

Seguindo as recomendações da OMS, destacamos que apenas atividades estritamente essenciais deveriam ser mantidas, sabemos, que a manutenção das aulas (mesmo na modalidade online) exige mobilização constante de funcionários, docentes, estudantes e outros agentes, seja na manutenção da infraestrutura da informática do instituto, no atendimento às demandas no CRUSP, preparação das atividades, locomoção de um local a outro, etc.

Manter as atividades em caráter obrigatório faz com que os estudantes não possam priorizar outras situações de suas vidas que deveriam ser pautadas neste momento, como a atenção redobrada às questões sanitárias, contribuição nos serviços domésticos ou externos e apoio e cuidado à familiares em grupo de risco

Assim, entendemos que as atenções devem ser direcionadas a conter o avanço do vírus Nossos estudantes, como estudantes de um curso científico, podem e devem ser referência em suas famílias e locais de moradia e atuação, se contrapondo à disseminação de fakenews e conscientizando seus grupos familiares. A tentativa de manter a normalidade frente a um cenário totalmente atípico, somadas ao isolamento social, possivelmente cada vez maior, pode trazer sobrecarga psicológica nos estudantes (que já enfrentam diversas questões) para as quais o instituto ainda não está preparado para lidar no retorno às aulas presenciais.

O governo Federal, na figura de Bolsonaro, demonstrou em sua última fala que não irá seguir as recomendações da OMS, priorizando o lucro de alguns setores em detrimento à vida de milhares de pessoas. Não queremos que os estudantes da USP tenham a mesma sensação de uma instituição de ensino que se comprometeu com sua formação, não só científica, mas também humana.




¹ Unicamp se reorganiza para enfrentar o coronavírus. (link para matéria)

ENTIDADES QUE SE POSICIONARAM CONTRA O ENSINO A DISTÂNCIA

 

³ FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP.
link do comunicado

 

FÓRUM DAS 6 (reúne ADUNICAMP, ADUSP, ADUNESP, STU, SINTUSP, SINTUNESP, SINTEPS)
“O momento é de cuidar de vidas. retomaremos as aulas quando a pandemia passar. não à substituição de aulas presenciais por aulas online!” link para documento

 

ADUSP – Associação de Docentes da USP.
“Atividades pedagógicas presenciais e em tempo real são fundamentais para todos os processos formativos dentro da universidade pública”. Link do artigo

Pressões para USP “não parar” colocam em risco a comunidade. Reitoria precisa suspender o semestre imediatamente. Link da Nota.

A normalização do Anormal. Link para artigo

Pós-graduação EACH
link para documento

 

²CAAVC – Centro Acadêmico Arnaldo Vieira de Carvalho (cursos de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional) e CAER – Centro Acadêmico Emílio Ribas (cursos de saúde pública e nutrição)

Nota e abaixo assinado pelo direito de todo os estudantes da USP de poderem zelar pela saúde de seus familiares e de suas próprias e o direito de ter uma graduação de qualidade e acessível a todos. Pedindo a suspensão das atividades não essenciais na USP.

link para nota

  • Cerca de 400 assinaturas de estudantes da USP no abaixo assinado.

 

CAELL (Centro Acadêmico da Letras)

Professores do DLCV (maior departamento da letras)

CAHIS (Centro Acadêmico da História)

link para nota

  • maioria dos docentes do Departamento de História

CEQHR – Centro Acadêmico Instituto de Química USP
Apoia a nota do CAER/CAAVC, denuncia a continuidade das atividades sem garantias para acompanhamento de todos os estudantes. link para nota

SAAU – Secretaria Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo – USP-SC
Apoia a nota do CAER/CAAVC.

GUIMA – Centro Acadêmico Guimarães Rosa (Relações Internacionais)

Apoia nota do CAER/CAAVC.

O CEFISMA vem indicar a desorganização institucional e o caráter ideológico no que se refere a questão das aulas nos últimos dias e o descaso pelas questões humanas necessárias à formação científica e docente.
Sobre a desorganização: desde que anunciado os primeiros casos de CoronaVírus na USP, as diretorias dos diversos institutos tinham ciência sobre um possível fechamento da universidade e suspensão das aulas, não obstante, a crise mundo afora, seja na China e mais recentemente na Europa, decorrente do vírus, se apresentava como inevitável no Brasil, especialmente em cidades superpopulosas e com muitos viajantes como São Paulo.
Assim, as instâncias burocráticas da USP não foram “tomadas de surpresa” por esta crise que se desenhava, apenas foram desatentas com as necessidades dos estudantes, especialmente os de baixa renda.
Agora, sem contar com infraestrutura, treinamento e recursos adequados, está sendo proposto pela reitoria e aceito em grande medida por docentes e Comissões de graduação a possibilidade de realização de aulas virtuais. Sem a pesquisa prévia sobre quais são as condições materiais reais dos estudantes para cursar uma disciplina enquanto no período de isolamento social em suas casas.
Após duas reuniões da diretoria e duas reuniões da Comissão de graduação, foi conversado sobre a possibilidade e necessidade de implementação de recursos digitais para aulas online para que o semestre não fosse perdido – há previsão de que as atividades só retornem a sua normalidade daqui alguns meses – e os problemas de assumir tais formas sem a devida responsabilidade e leitura foram apontados pelos RD’s presentes,
1. Problemas como a falta de acesso de diversos estudantes a recursos digitais (notebooks e/ou celulares) ou mesmo a internet, para assistirem às aulas ou mesmo receber as mensagens sobre o funcionamento da universidade; A Universidade estampa seu cinismo ao apresentar uma proposta de aulas virtuais quando nem mesmo as moradias estudantis dentro do campus (CRUSP) possuem internet.
2. Falta de um ambiente estruturado próprio ao estudo que muitos estudantes, especialmente os de baixa renda, podem ter em um período como esse, onde as pessoas não podem sair de casa, as escolas estão fechadas e muitos trabalhadores estão tendo que prestar serviços de casa.
3. Aspectos socioemocionais, a universidade está tratando uma das piores crises sanitárias do mundo no último século como trata administrativamente uma greve, não levando em conta que muitos estudantes estão tendo que lidar com questões psicológicas e emocionais relativas ao isolamento social, bem como, com a possibilidade, devido a característica do vírus, de que muitos deles, ou seus familiares mais próximos (pais, mães, avós) podem ficar doentes no próximo período, e para que isso não ocorra é necessário um esforço, totalmente distante da normalidade das atividades acadêmicas.
Apesar de tudo isto, nota-se que diversas instâncias e forças institucionais estão mobilizadas em fazer as atividades virtuais acontecerem, com a justificativa de que esta é a única maneira de não ter o semestre perdido. Não discordamos disso, a princípio, porém, é desalentador ver a instituição responsável pela nossa formação tomar medidas tão descoordenadas, enquanto a Comissão de graduação envia um email solicitando que os alunos que não têm acesso à internet se manifestem, diversos docentes já estão dando aulas e atividades virtuais. Isto é sintomático, é quase como se os docentes do IFUSP não precisassem dos estudantes para dar suas aulas!
Sobre a questão ideológica, a nós ecoa a pergunta: Qual a lição formativa que esta experiência vai dar aos estudantes? De que se interessa à ordem e a disciplina, independente do que esteja acontecendo no mundo “o show têm que continuar”; que os futuros cientistas e professores não devem se importar com a sociedade que, neste momento, precisa deles cumprindo outras tarefas; que as instituições – apesar de seus quadros administrativos ultra-sofisticados tomam decisões extremamente descoordenadas e, por fim, que o Instituto de Física da USP, não confia na capacidade de seus estudantes de pensarem sozinhos, formularem e estudarem se não estiverem sob a égide das disciplinas e instituição.
Todos já devem ter ouvido sobre o período que Isaac Newton teve que fazer um retiro no campo devido ao alastramento da peste, e que este foi um dos períodos de maior efervescência e produção do personagem, bom… Newton não estudou no IFUSP.
Não somos fundamentalmente contra a iniciativa dos docentes, comissões e diretoria de estudar e propor atividades virtuais neste período de exceção, o que queremos é que isto seja feito de forma responsável e principalmente considerando os principais interessados: os estudantes.
1. Estabelecimento de um prazo para que todas as disciplinas encaminhem como será, ou não, a continuidade das atividades, desta forma os docentes podem se organizar na preparação de materiais e ambientação com as plataformas.
2. Orientação para uso do menor número de softwares. O instituto criou uma comissão para analisar as vantagens e desvantagens, optando pelo Zoom para transmissão de aulas ao vivo (o instituto já contratou este serviço) e o moodle para disponibilização de materiais. No entanto, diversos docentes sequer receberam estas informações – dando continuidade em suas aulas de diversas maneiras distintas: emails, meetgoogle, discord, etc.
3. Estabelecimento de política sobre o uso do Instituto. Há grandes chances de bloquearem a entrada de estudantes no instituto. Como já mencionado, os estudantes do CRUSP não possuem acesso à internet nem um espaço adequado ao isolamento e estudo.
4. Orientações claras sobre como os estudantes que não conseguirem cursar estas disciplinas agora não serão prejudicados, sugerimos que todas as disciplinas sejam reoferecidas quando do retorno a normalidade, bem como, expansão do período de trancamento, sem manchar o histórico, até o final da disciplina online (proposta já discutida em reuniões da CG).
Gostaríamos de reforçar que o CEFISMA está tentando ajudar a comunidade do Instituto de Física, servindo como intermédio entre as demandas estudantis e as práticas institucionais, desta forma, solicitamos que cada um faça sua parte. Aos estudantes, que acompanhem os portais oficiais de notícias (emails e moodles das disciplinas) e que ajudem na divulgação aos colegas, ao IFUSP, que dê orientações e notícias claras a estudantes e professores.
Toda solidariedade aos acometidos pelo CoronaVírus.
Muitas pessoas ficaram confusas sobre a sequência de ações do IFUSP, Reitoria da USP, Conselho Reitores das Universidades do Estado de São Paulo (CRUESP) e Governo do Estado de São Paulo, para tentar mostrar essa sequência, o Cefisma fez esse infográfico!!
Destacamos que desde o primeiro caso registrado na USP se passaram apenas um dia para que houvesse reunião no IFUSP, com participação de representes discentes para tratar da questão e que a última notícia é que as aulas (Universidades e Escolas) serão suspensas a partir de terça-feira (17 mar.) por ordem do Governo Estadual, seguida pelo CRUESP.
As notas citadas foram enviadas por e-mail à Comunidade IFUSP.
Aconselhamos que seja seguida as recomendações dos órgãos sanitários competentes.
Em caso de suspeita de casos no IFUSP, contatem o Cefisma ou o canal de comunicações do instituto.
Vídeo: https://www.facebook.com/cefismausp/videos/517062608861527
NOTA CEFISMA
13 de março de 2020
Frente à confirmação do primeiro caso de coronavírus (COVID-19) na USP, a Diretoria do Instituto de Física da USP convocou duas reuniões extraordinárias com os chefes de Departamento e Comissões, contando com a participação de Representantes Discentes para discutir se o próximo passo a ser tomado deveria ser o de suspender as atividades do IFUSP, ou não. Frisamos que o Instituto debateu o assunto com seriedade e a resolução foi a de que deveríamos esperar até segunda ordem, porque, no compreender dos presentes em reunião, as ações deveriam ser tomadas coletivamente, sendo pouco efetivo a paralisação das atividades acadêmicas de somente um Instituto. Contudo, medidas já estão sendo tomadas para o caso das paralisações acontecerem, por exemplo, a adoção de plataformas para aulas virtuais e o aumento do efetivo da limpeza.
O CEFISMA se coloca como meio de comunicação entre os estudantes e o IFUSP, conforme sinalizado em nota do Instituto. Receberemos mensagens de estudantes sob suspeita do vírus, em processo de diagnóstico, grupos de risco, etc. É fato, por exemplo, que o quadro brasileiro encontra-se nem de longe tão crítico quanto os de outros países que também estão lidando com o vírus. Justamente por isso, as recomendações da Sociedade Brasileira de Infectologia para a população brasileira continuam apenas no estágio dos cuidados individuais. Portanto, é preciso se considerar, de maneira sensata e responsável, quais medidas devem ser adotadas em quais fases específicas de contágio.
Devemos também incentivar o debate diverso e democrático junto aos estudantes da Física, em especial sobre a atual situação sanitária da USP e do Brasil. A grande mídia, de forma cada vez mais irresponsável, têm disseminado desinformação e paranóia, uma vez que retiram do centro do debate um ponto-chave para a compreensão do quadro brasileiro: o desmonte e sucateamento do SUS. Não há como existir segurança sanitária sem acesso universal, gratuito e qualificado à saúde.
Da mesma forma, não há como existir acesso à saúde nesses termos sem pesquisa e produção de ciência e tecnologia de qualidade voltadas aos interesses populares, com vistas ao fortalecimento da nossa soberania nacional, inclusive no que diz respeito à saúde. Assim, se medidas que não sejam extremamente bem pensadas continuarem a ser tomadas, é possível que, além de não se prevenir e tratar o problema em questão, gera-se um agravamento ainda maior do quadro brasileiro, não apenas do ponto de vista sanitário, mas também social.
O capitalismo neoliberal, ao redor do mundo, não é capaz de dar respostas à crises epidemiológicas como esta, justamente por ser um dos principais responsáveis por sua expansão. A devastação dos recursos naturais e ecossistemas, a desigualdade social no acesso a água, alimentação e saneamento básico e o ímpeto de aumentar cada vez mais os lucros sobre a exploração da saúde e dignidade humanas são apenas alguns exemplos do que esse sistema é capaz de fazer com a humanidade e o planeta.
Por isso, se faz estritamente necessário que, enquanto estudantes universitários, referências científicas para grande parte da população brasileira, mantenhamos a calma, sigamos as orientações de órgãos de pesquisa referenciados e evitemos disseminar o pânico e a desinformação, sempre agindo com sensatez e responsabilidade. Acima de tudo, se faz imprescindível que passemos a entender quais são as causas centrais de surtos epidemiológicos como este e também quem são nossos oponentes na luta por saúde universal, gratuita e de qualidade!
Siga-nos e entre em contato